quarta-feira, outubro 14, 2009

A Fome da Alma, James Houston

"Se não me engano, foi Santo Agostinho que disse que, se queremos conhecer uma pessoa, não devemos perguntar a ela o que faz e sim, o que mais ama. Para ele, são os afetos que definem nossa identidade, e não nossa funcionalidade.

A cultura moderna, por outro lado, permanece com a primeira pergunta. O que fazemos é o que define quem somos. Somos seres funcionais. A profissão, o status, a função, precedem a pessoa. Ao perguntar pelo que amamos, Agostinho coloca no centro de nossa identidade os afetos e os desejos, resgata o significado da pessoa como um ser relacional e não funcional. Noutras palavras, somos o que desejamos, um reflexo daquilo que amamos.

O problema é que nossos desejos são, muitas vezes, desordenados, confusos e corrompidos. Não apenas nossos desejos, mas também os desejos provocados pela cultura que nos envolve: todos trazem consigo os sinais da queda e do pecado. Nossos desejos e afetos precisam também de conversão.

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Muitas expectativas espirituais que anelamos ou buscamos nascem das deformações do nosso caráter e desejos que o pecado criou. Não me refiro apenas ao pecado como agente deformados do nosso caráter pessoal, mas também do pecado como agente deformador da sociedade e seus valores. Muitas vezes buscamos sensações espirituais que nascem não de um desejo sincero por Deus, sua Palavra, reino, justiça e amor, mas para satisfazer sentimentos egoístas qeu nascem de emoções não transformadas. Somos constantemente assaltados por sentimentos de medo, insegurança, rejeição, abandono, necessidade de afirmação, reconhecimento, aceitação. Tudo isto determina as experiencias que buscamos e o rumo que damos ao conhecimento que adquirimos. Desejos desordenados promovem experiências tambem desordenadas e, finalmente, falsas.

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Sem duvida, numa era em que as preocupações sobre a saúde emocional crescem em todos os níveis; onde encontramos uma infinidade de livros dedicados a este tema, nem todos confiáveis, 'A Fome da Alma' chega num momento oportuno e nos apresenta com seriedade filosófica, histórica e teológica a importância dos desejos na experiência espiritual e na formação da pessoa em Cristo. É um livro que nos ajudará a entender o caminho para conduzir nossos desejos cativos a Cristo."

Rev. Ricardo Barbosa de Sousa: A Fome da Alma, James Houston. 2000.